COMPONENTE CURRICULAR

Componente Curricular
BIO143 - EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO CIENTÍFICO
Carga Horária - Total: 60 horas  
TeóricaPráticaEstágioDepartamentoSemestre Vigente
30300Biologia Geral2023.1
Ementa
História, filosofia e sociologia das ciências em geral e das ciências biológicas em particular. Questões sociais relevantes na atualidade, relacionadas às ciências biológicas.
Programa
Objetivo
A importância da história e filosofia das ciências para uma educação científica de qualidade tem sido defendida de maneira enfática na literatura (e.g. Robinson 1965, Burbules & Linn 1991, Lederman 1992, Matthews 1994, McComas et al, 1988). Propõe-se freqüentemente a aprendizagem das ciências precisa ser acompanhada pela aprendizagem sobre as ciências (ou sobre a natureza da ciência). Alguma compreensão, ainda que modesta (Matthews 1998), da história e da filosofia das ciências é importante tanto para pesquisadores como para professores. Estes últimos necessitam de pelo menos três competências (Matthews 1994): (i) o conhecimento e a apreciação da ciência que ensinam; (ii) alguma compreensão da história e filosofia das ciências; e (iii) alguma teoria ou visão educacional que possa informar suas atividades na sala de aula e suas relações com os estudantes, propiciando uma base racional e um propósito para seus esforços pedgógicos. De outra parte, o contexto da pesquisa científica não se limita aos ambientes neutros que os laboratórios parecem ser, mas envolve muits outras esferas, incluindo uma diversidade de pressões, conflitos de interesses, questões éticas etc. Os pesquisadores não podem ignorar as relações complexas e ambíguas entre a ciência, a tecnologia e a sociedade, necessitando de bases seguras para suas decisôes. No caso da biologia, esse aspecto é particularmente importante, na medida em que o contexto financeiro e político no qual a pesquisa biológica é praticad mudou significativamento nos últmos trinta anos, sobretudo por causa da relevância das questões ambientis no mundo contemporâneo e do impacto da biologia molecular e da biotecnologia. Nesta situação complexa, pesquisadores e professores necessitam de uma compreensão da natureza da ciência que praticam, de suas possibilidades e limitações, da influência dos contextos sociais, culturais e políticos sobre a pratica científica etc. Estes são elementos essenciais para uma tomada de decisões informada em suas vidas profissionais. No entanto, a formação de professores e pequisadores, tanto de biologia como de outras ciências, por limitar-se, na maioria dos casos, aos aspectos teóricos e práticos de cada ciência, muitas vezes não fornece a estes referenciais históricos e filosóficos fundamentais para suas decisões no contexto complexo das relações da ciência com outras esfereas da sociedade. É essencial que um biólogo, por exemplo, compreenda, entre outros aspectos, o que é a ciência e, em particular, a biologia; as bases epistemológicas da construção do conhecimento científico; as implicações éticas da pesquisa biológica; as relações entre ciência, tecnologia e sociedade etc. Em suma, é necessário fornecer aos biólogos uma formação mais sólida em áreas que não são em geral contempladas pelos currículos dos cursos de biologia: a ética e a hist´roia e filosfia das ciências. felizmente, as novas diretrizes curriculares para os curso sueriores de biologia, propostas por comissão instituída pelo mec, contemplam esses aspectos da formação dos biólogos. No caso da Universidade Federal da Bahia, as dimensões históricas e filosóficas da ciência e, em particular, da biologia são abordadas no currículo do curso de ciências biológicas desde 1988, na disciplina 'Evolução do Pensamento Científico' (BIO 143).
Conteúdo
1. Abordagens contextuais do Ensino de Ciências e as dimensões históricas, filosóficas e sociais da atividade científica. 2. Natureza da filosofia e a questão do método filosófico. Áreas da filosofia. A epistemologia e a filosofia da ciência. 3. Filosofia da biologia e questões sociais. 4. Introdução ao Estudo de caso: "Genes e comportamento humano": análise de reportagens obtidas na mídia. 5. Pensamento evolutivo e a visão de mundo Ocidental moderna. relações entre educação cientifica e educação religiosa. Criacionismo e ensino de evolução. 6. Explicações deterministas do comportamento na sociobiologia e psicologia evolutiva: uma crítica filosófica. 7. Um panorama geral da história do pensamento evolutivo. 7.1 O surgimento e o impacto da idéia de evolução. 7.2 A teoria lamarckiana da evolução. 7.3 O pensamento evolutivo na primeira metado do século XIX. 7.4 As origens de A Origem das Espécies. 7.5 Darwin, Wallace e a teoria da seleção natural. 7.6 A Origem das Espécies e a estrutura lógia da teoria da seleção natural. 7.7 A recepção da teoria da seleção natural pela comunidade científica. 7.8 O eclipse do darwinismo. 7.9 O resnascimento do darwinismo e a teoria sintética da evolução. 7.10 Os debates atuais na biologia evolutiva. 8. Alguns tópicos filosóficos relacionados à evolução. 8.1 As relações entre ciência e religião. 8.2 A natureza da metafísica e suas relações com a ciência. 8.3 Criacionismo e ensino da evolução. 8.4Teorias, leis e modelos. 8.5 Explicação científica. 8.6 Métodos científicos: Inddutivismo versus hipotético-dedutismo. 8.7 O problema da indução e a dependência teórica da observação. 8.8 Falsifacionismo popperiano. 8.8 A metodologia dos programas de pesquisa (Lakatos). 8.9 Paradigmas (Kuhn). 8.10 A perspectiva fleckiana. Anarquismo epistemológico (Feyerabend). 9. Um panorama geral da história do conceiro de gene e das relações genótipo-fenótipo. 9.1 Os estudos de Mendel. 9.2 O mascimento da genética mendeliana e a investigação sobre a estabilidade genética: o gene como unidade. 9.3 A dupla hélice, a biologia molecular e o conceito meolecular clássico de gene. 9.4 A biologia molecular e a crise do gene como unidade de estrutura e função. 9.5 Os debates atuais sobre o estatuto do gene na filosfia da biologia. 9.6 Genes, desenvolvimento e fenótipo: a teoria dos sistemas de desenvolvimento e os níveis intermediários entre a ação gênica e a constituição do fenótipo. 10. Genes e informação em sitemas biológicos. 11. Genes, organismo e ambiente. 12. Estrutura lógica da pesquisa científica e análise de projetos de IC.
Bibliografia
Abrantes, P. 1999. Simulação e realidade. Revista Colombiana de Filosofia da Ciência 1(1):9-40. American Association for the Advancement of Science (AAAS). 1989. Project 2061: Science for all Americans. Washington-DC:AAAS. Beurton, P.; Falk, R. & Rheinberger, H.-J. The Concept of the Gene in Development and Evolution. Cambridge: Cambridge University Press. 2000. Bowler, P. J. 1989. Evolution: The History of an Idea. Chicago: The University of Chicago Press. Chalmers, A. F. 1995. O Que é Ciência Afinal? São Paulo: Brasiliense. Ciências e Crenças: Era Uma Vez a Criação. O Correio da UNESCO, Julho de 2001, pp. 16-34. Crow, J. F. 2003. Evolution: Views, in: Encyclopedia of the Human Genome. Macmillan Publ. Darwin, C. & Wallace, A. R. 1971. Evolution by Natural Selection. New York: Johnson Reprint Co. Dickerson, R. E. 1990. Letter to a creationist: Seeking the middle ground. The Science Teacher, September 1990:49-53. Dupré, J. Darwin's Legacy: What Evolution Means Today. Oxford: Oxford UP. El-Hani, C. N. & Videira, A. A. P. O Que é Vida? Para Entender a Biologia do Século XXI. Rio de Janeiro: Relume Dumará. 2000. Falk, R. 1986. What is a gene? Studies in the History and Philosophy of Science, 17:133-173. Fogle, T. 1990. Are genes units of inheritance? Biology and Philosophy 5:349-371. Fox Keller, E. 2002. O Século do Gene. Belo Horizonte: Crisálida/SBG. Gil Pérez, D. et al. 2001. Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência & Educação 7(2):125.153. Gould, S. J. 1987. Darwinism defined: The difference between fact and theory. Discover, January 1987: 64-70. Hempel, C. G. [1966]1981. Filosofia da Ciência Natural. Rio de Janeiro: Zahar. Hull, D. L. 1973. Darwin and his Critics. Chicago: The University of Chicago Press. JACKSON, D. F.; DOSTER, E. C.; MEADOWS, L. & WOOD, T. Hearts and minds in the science classroom: The education of a confirmed evolutionist. Journal of Research in Science Teaching, v.32, p.585-611. 1995. LACEY, H. On relations between science and religion. Science & Education. v.5, n.2, p. 143-153, 1996. Lakatos, I. 1980. The Methodology of Scientific Research Programmes. Philosophical Papers, Vol. 1. Edited by J. Worrall & G. Currie. Cambridge: Cambridge University Press. Leguizamon, R. 2002. A teoria da evolução contra a ciência e a fé (o conto do macaco). Folha Criacionista 66:1-2. Lewontin, R. 2002. A Tripla Hélice. São Paulo: Cia. das Letras. MAHNER, M; BUNGE, M. Is religious education compatible with science education? Science & Education. v.5, n.2, p. 91-99, 1996 Matthews, M. R. 1994. Science Teaching: The Role of History and Philosophy of Science. New York: Routledge. Matthews, M. R. 1998. In defense of modest goals when teaching about the nature of science. Journal of Research in Science Teaching 35(2):161-174. Maturana, H. 2001. Teorias científicas e filosóficas, in: Cognição, Ciência e Vida Cotidiana. Belo Horizonte: UFMG. Mayr, E. [1982]1999. O Desenvolvimento do Pensamento Biológico. Brasília: UNB. Moore, R. 1998. Creationism in the United States. II. The Aftermath of the Scopes Trial, The American Biology Teacher 60(8):568-577. Peacocke, A. 1999. Biology and a theology of evolution. Zygon 34(4):695-712. Salmon, M. H. Et al. (Orgs.). Introduction to the Philosophy of Science. Englewood Cliffs: Prentice-Hall. 1992. Sepulveda, C. & El-Hani, C. N. 2003. A Relação entre Religião e Ciência na Trajetória Profissional de Alunos Protestantes da Licenciatura em Ciências Biológicas. Salvador: Mestrado em Ensino, Filosofia e História das Ciências/UFBA-UEFS. Dissertação de Mestrado. SEPULVEDA, C; EL-HANI, C. N. Estratégias de apropriação do discurso científico por alunos protestantes do curso de licenciatura em Ciências Biológicas. In: MORTIMER, E.F. & SMOLKA, A. C. (org), Anais do II Encontro Internacional Linguagem, Cognição e Cultura. Belo Horizonte, julho 2003. SEPULVEDA, C; EL-HANI, C. N. Quando visões de mundo se encontram: Religião e ciência na trajetória de formação de alunos protestantes de uma licenciatura em ciências biológicas. Investigações em Ensino


Lista de Turmas
Náo há oferta de turmas para o semestre.