| A importância da história e filosofia das ciências para uma educação científica de qualidade tem sido defendida de maneira enfática na literatura (e.g. Robinson 1965, Burbules & Linn 1991, Lederman 1992, Matthews 1994, McComas et al, 1988). Propõe-se freqüentemente a aprendizagem das ciências precisa ser acompanhada pela aprendizagem sobre as ciências (ou sobre a natureza da ciência). Alguma compreensão, ainda que modesta (Matthews 1998), da história e da filosofia das ciências é importante tanto para pesquisadores como para professores. Estes últimos necessitam de pelo menos três competências (Matthews 1994): (i) o conhecimento e a apreciação da ciência que ensinam; (ii) alguma compreensão da história e filosofia das ciências; e (iii) alguma teoria ou visão educacional que possa informar suas atividades na sala de aula e suas relações com os estudantes, propiciando uma base racional e um propósito para seus esforços pedgógicos. De outra parte, o contexto da pesquisa científica não se limita aos ambientes neutros que os laboratórios parecem ser, mas envolve muits outras esferas, incluindo uma diversidade de pressões, conflitos de interesses, questões éticas etc. Os pesquisadores não podem ignorar as relações complexas e ambíguas entre a ciência, a tecnologia e a sociedade, necessitando de bases seguras para suas decisôes. No caso da biologia, esse aspecto é particularmente importante, na medida em que o contexto financeiro e político no qual a pesquisa biológica é praticad mudou significativamento nos últmos trinta anos, sobretudo por causa da relevância das questões ambientis no mundo contemporâneo e do impacto da biologia molecular e da biotecnologia. Nesta situação complexa, pesquisadores e professores necessitam de uma compreensão da natureza da ciência que praticam, de suas possibilidades e limitações, da influência dos contextos sociais, culturais e políticos sobre a pratica científica etc. Estes são elementos essenciais para uma tomada de decisões informada em suas vidas profissionais. No entanto, a formação de professores e pequisadores, tanto de biologia como de outras ciências, por limitar-se, na maioria dos casos, aos aspectos teóricos e práticos de cada ciência, muitas vezes não fornece a estes referenciais históricos e filosóficos fundamentais para suas decisões no contexto complexo das relações da ciência com outras esfereas da sociedade. É essencial que um biólogo, por exemplo, compreenda, entre outros aspectos, o que é a ciência e, em particular, a biologia; as bases epistemológicas da construção do conhecimento científico; as implicações éticas da pesquisa biológica; as relações entre ciência, tecnologia e sociedade etc. Em suma, é necessário fornecer aos biólogos uma formação mais sólida em áreas que não são em geral contempladas pelos currículos dos cursos de biologia: a ética e a hist´roia e filosfia das ciências. felizmente, as novas diretrizes curriculares para os curso sueriores de biologia, propostas por comissão instituída pelo mec, contemplam esses aspectos da formação dos biólogos. No caso da Universidade Federal da Bahia, as dimensões históricas e filosóficas da ciência e, em particular, da biologia são abordadas no currículo do curso de ciências biológicas desde 1988, na disciplina 'Evolução do Pensamento Científico' (BIO 143). |
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